Emagreci e continuo desanimada. E agora?

Quando acima do peso cria-se o mito de colocar a expectativa que irão se solucionar todos as  questões e,  problemas  emocionais com o emagrecimento. E essa expectativa gera a decepção em muitos ex-obesos, ou obesos em recuperação, como eu prefiro chamar.

Muitos deles emagrecem e mesmo assim continuam se sentindo deprimidos, com baixa auto-estima. Muitos não alcançam a imagem desejada e com isso julgam até que estavam melhores antes do emagrecimento.

Isso acontece porque a medida que o corpo muda e, com ele, a auto-imagem modifica também.
As relações tendem acompanhar esse emaranhado  de mudanças, e é necessário se refazer, se repensar, redescobrindo o que se é. Quando obeso  acaba por deixar de fazer e ser muitas coisas por inúmeras questões e, então magro já não há mais justificativas. Há que considerar também a pressão das pessoas para se estar feliz com sua nova condição.
As pessoas tendem a diminuir as questões emocionais apontando que não há motivo para a tristeza, o desanimo ou infelicidade, e essa proibição é a causa e a consequência de se manter ou agravar um estado que pode levar a depressão.

Eu sou psicólogo, e ex obeso. Emagreci cerca de 65 kgs. Fiz a cirurgia bypass há 3 anos e hoje faço acompanhamento de pacientes que estão no pré e no pós operatório. E percebo que o emocional influencia 100% na percepção se a decisão foi correta ou não pela cirurgia. Muitas dessas pessoas passaram a vida como obesos, e construíram suas personalidades sob essa condição. Ao emagrecer precisam reaprender a ser elas mesmas. A se reconhecerem inclusive no espelho. Há muitos estudos que apontam que o ex obeso tenta fazer a compensação de alguma forma, essa compensação é emocional.

Muitos adquirem novos hábitos nocivos, como alcoolismo, cigarros, promiscuidade, vicio em compras, etc. Por isso o acompanhamento psicológico não se dá apenas para ajudar a se manter magro, mas principalmente apoiar emocionalmente as mudanças para que possa se ter uma nova vida saudável, em todos os aspectos.O emocional não é uma soma matemática, é necessário se debruçar sobre as questões e transformá-las em conhecimento de si mesmo, para que haja um continuo caminho de melhoria pessoal e desenvolvimento de habilidades emocionais. E isso se faz com psicoterapia.

– Douglas Amorim

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