O que o ursinho Pooh pode nos mostrar sobre os transtornos mentais?

Em algum momento, seja na infância ou na vida adulta, você já escutou falar do Ursinho Pooh. Inspirado nas obras de Alan Alexander Milne, recentemente o desenho animado tem chamado a atenção do público por um motivo: transtornos mentais.

Um estudo feito pelos pesquisadores na Universidade de Ave (Canadá), mostrou indícios de que cada personagem da animação representa um tipo de transtorno mental.

Apesar de não saber ao certo se essa era a intenção do autor do desenho, vale a pena conhecer melhor esse assunto e a relação que ele tem com a saúde mental. Basicamente, a animação conta com seis personagens principais e falaremos deles, logo a seguir:

Leitão

  • De acordo com o estudo, Leitão é o personagem que representa o transtorno de ansiedade generalizada. Qualquer coisa que possa acontecer, é motivo de alarde e de um comportamento constantemente ansioso. Além disso, ele se assusta fácil com barulhos diferentes e movimentos repentinos.

Bisonho

  • Por outro lado, Bisonho é o personagem que mais demonstra um olhar triste e negativo para a vida. Ele tem depressão, um transtorno mental que dificulta o sentido de emoções positivas como, por exemplo: entusiasmo.
  • Conhecida como distimia crônica, a depressão severa permite que Bisonho fique num estado de mau-humor contínuo. Assim, o desenho mostra que o bichinho chega ao ponto de se sentir confortável com essa tristeza.

Tigrão

  • Outro integrante de Ursinho Pooh é o Tigrão, que ressalta os traços de déficit de atenção e hiperatividade. No tigre é possível notar que ele não consegue ficar parado por muito tempo, mesmo quando precisa descansar.
  • Além disso, você consegue perceber que Tigrão apresenta um transtorno bipolar, o que altera seu humor de muito triste para super alegre em instantes. O personagem também conta com um controle impulsivo.

Abel

  • Organização é o que Abel mais preza em seu dia a dia. Contudo, essa condição marcante se chama transtorno obsessivo compulsivo. Não importa se em algum momento essa atitude incomodar seus amigos, ele vai sempre estar colocando alguma coisa em ordem.
  • Para gastar essa energia, Abel utiliza o tempo para controlar tudo o que está em sua volta. Seja para contar ou recontar, ele sempre está fazendo alguma coisa.

Corujão

  • A coruja que integra o universo de Ursinho Pooh representa dislexia. Isso se torna claro porque Corujão é o único animal da equipe de amigos que sabe ler e escrever.
  • Mostra como as pessoas com esse transtorno mental podem ser muito inteligentes. Contudo, apresentam lentidão e cometem erros na hora de falar ou escrever algo.

Cristovão

  • O ser humano que compõe o elenco principal de Ursinho Pooh é uma criança que tem esquizofrenia. Ele pode ver todos os animais e conversar com eles. Na verdade, acredita-se que todos são frutos da imaginação de Cristovão e representam uma manifestação de seu próprio humor.

Pooh

  • O personagem que dá o nome da animação ama comer mel constantemente. Isso pode indicar que ele tenha transtorno alimentar, déficit de atenção e hiperatividade ou TDAH. Este último é identificado por seus esquecimentos rotineiros, pensamentos desordenados e observações sem sentido completo.

Guru

  • Por fim, o pequeno canguru destaca seus sinais de autismo. Ao longo dos episódios, é normal vê-lo não prestar atenção nos recados de sua mãe e nem no que está acontecendo ao redor. Isso o faz cair em situações perigosas muitas vezes.

A importância de entender os transtornos mentais e tratá-los

Os transtornos citados são conhecidos por serem doenças mentais e distúrbios psiquiátricos, diagnosticados com a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra.

Essas condições podem acarretar anormalidades, comportamentos que causam sofrimento e até incapacidade de ter um dia mais saudável e equilibrado. Dessa forma, é essencial buscar um tratamento psicológico caso você tenha alguns desses transtornos ou se identificou com as características de alguns.

Tipos de bipolaridade: como identificar?

Tipos de bipolaridade: quais são?

Transtorno Bipolar Tipo I

Transtorno bipolar tipo I é o que as pessoas tendem a pensar quando pensam em transtorno bipolar (anteriormente conhecido como depressão maníaca). Acontece pela oscilação entre um humor muito eufórico, conhecido como “mania” e um humor muito baixo, chamado “depressão”.

Assim, uma pessoa com transtorno bipolar tipo I experimenta esses humores episodicamente. A pessoa pode experimentar um episódio maníaco por dois meses, por exemplo, seguido por uma depressão de três meses, e depois ficar um período sem sintomas (conhecido como eutimia).

Confira o que são cada uma dessas fases (maníaca x depressiva):
  1. Durante o episódio de mania

Episódios maníacos são caracterizados por pelo menos uma semana de perturbação profunda do humor caracterizada por euforia, irritabilidade ou expansividade (euforia com delírios de grandeza). Além disso, pelo menos três dos seguintes sintomas devem estar presentes:

  • Grandiosidade
  • Necessidade reduzida de sono
  • Fala excessiva ou rápida demais
  • Muitos pensamentos ao mesmo tempo ou fuga de ideias
  • Evidência clara de distração
  • Aumento do nível de atividade focada em objetivos em casa, no trabalho ou sexualmente
  • Atividades prazerosas excessivas, muitas vezes com consequências dolorosas
  • A perturbação do humor é suficiente para causar prejuízo no trabalho ou colocar em risco a pessoa ou outras pessoas.
  • O humor não é o resultado de abuso de substâncias ou de uma condição médica.

2. Durante o episódio depressivo

A depressão bipolar tem os mesmos critérios usados para identificar casos de depressão. Os episódios depressivos caracterizam-se quando: nas mesmas duas semanas, a pessoa apresenta cinco ou mais dos seguintes sintomas, com pelo menos um dos sintomas sendo depressivo ou caracterizado por perda de prazer ou interesse:

  • Humor deprimido
  • Dignamente diminuído prazer ou interesse em quase todas as atividades
  • Perda de peso significativa ou ganho ou perda significativa ou aumento do apetite
  • Hipersonia ou insônia
  • Retardo psicomotor ou agitação
  • Perda de energia ou fadiga
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva
  • Diminuição da capacidade de concentração ou indecisão acentuada
  • Preocupação com a morte ou suicídio; a pessoa tem um plano ou tentou suicídio
  • Esses sintomas causam comprometimento e sofrimento significativos e não resultam do abuso de substâncias ou de uma condição médica.
Transtorno Bipolar e Psicose

Pessoas com transtorno bipolar do tipo I também costumam ter psicose. Isto é, elas apresentam uma “ruptura com a realidade”, e assim, o transtorno é classificado a partir da presença de delírios e / ou alucinações.

Porém, existem diferenças entre entre delírios e alucinações: Delírios são crenças falsas (como a crença de que você está sendo seguido pela polícia em qualquer lugar que você vá), e as alucinações são experiências que não aconteceram (por exemplo, você pode ver algo que não existe ou sentir uma sensação tátil sem que seja real). Além disso, as pessoas podem experimentar psicose durante uma fase maníaca ou depressiva.

Obs.: Experimentar a psicose não tem nenhuma relação com ser um psicopata. Portanto, são coisas totalmente diferentes.

Transtorno Bipolar Tipo II

Entre os tipos de bipolaridade também encontramos o transtorno bipolar tipo II, composto por dois tipos de humor: depressão maior e hipomania. Os critérios para o humor depressivo são idênticos aos do transtorno bipolar do tipo I. Porém, a diferença é a hipomania, que segue os mesmos critérios básicos da mania bipolar, mas é menos grave. Assim como com o transtorno bipolar tipo I, esse transtorno é episódico.

Porém, apesar de alguns caracterizarem o tipo bipolar II como “menos grave”, isso não é verdade. Isso porque, o tipo bipolar II contém uma versão menos severa da fase da mania, conhecida como hipomania, porém, o transtorno em si não é menos grave ou menos prejudicial. Essa ideia existe, principalmente, porque as pessoas com transtorno bipolar tipo II passam significativamente mais tempo em um estado depressivo maior do que as pessoas com transtorno bipolar tipo I.

Hipomania Bipolar

Para entendermos o que é o tipo bipolar II, precisamos compreender a hipomania. Ela é caracterizada por um humor elevado, expansivo ou irritável de pelo menos quatro dias consecutivos de duração. Pelo menos três dos seguintes sintomas também estão presentes:

    • Grandiosidade ou auto-estima inflada
    • Necessidade reduzida de sono
    • Discurso pressionado
    • Corrida de pensamentos ou fuga de ideias
    • Evidência clara de distração
    • Aumento do nível de atividade focada em objetivos em casa, no trabalho ou sexualmente
    • Participar de atividades com alto potencial para consequências dolorosas
    • A perturbação do humor é observável para os outros.
    • O humor não é o resultado de abuso de substâncias ou de uma condição médica.
  • O episódio não é grave o suficiente para causar prejuízo social ou ocupacional.

As pessoas com transtorno bipolar do tipo I também podem experimentar a hipomania, muitas vezes como um precursor da mania total.

Note que as pessoas com transtorno bipolar tipo II não experimentam psicose.

Episódios mistos bipolares

Já o transtorno bipolar misto ou não especificado é uma categoria abrangente e caracteriza aqueles que tem o transtorno bipolar, mas que não se encaixam em nenhuma categoria específica. Por exemplo, para uma pessoa ser considerada com transtorno bipolar I, o episódio maníaco tem que durar pelo menos uma semana. Se o episódio maníaco dura apenas três dias, os médicos afirmam que o paciente tem transtorno bipolar não especificado.

Ciclotimia

Ainda falando sobre os tipos de bipolaridade, existe a ciclotimia. Isto é, a ciclotimia é o quadro mais leve do transtorno bipolar. O diagnóstico é dado àqueles que experimentam sintomas de hipomania e depressão, mas não preenchem todos os critérios para mania, hipomania ou depressão maior.

Assim, as pessoas com ciclotimia são muitas vezes consideradas por amigos e familiares como “muito temperamentais”. Elas até têm “altos e baixos”, porém, nenhum deles é tão grave ou dura tempo suficiente para se qualificar como mania ou depressão.

“Qual é o meu diagnóstico entre todos esses tipos de bipolaridade?”

Se você desconfia que sofre de transtorno bipolar, a melhor maneira de saber qual dos tipos de bipolaridade você tem é obtendo um diagnóstico formal de um psicoterapeuta ou psiquiatra.

Porém, se você estiver olhando para o problema por conta própria, tenha em mente que uma das principais diferenças é a psicose. Assim, se você tiver psicose (isto é, delírios e alucinações), é bem provável que isto seja diagnosticado como transtorno bipolar tipo I.

Já se os seus humores elevados são inferiores ao período de uma semana, é provável que você seja diagnosticado com transtorno bipolar do tipo II.

Agora se você não se encaixa nos critérios diagnósticos para depressão grave ou hipomania/mania, existe a chance de você ser diagnosticado com ciclotimia.

Porém, lembre-se de que a primeira coisa que você deve fazer, caso desconfie que você se encaixa em um dos tipos bipolares é procurar ajuda de um profissional. Somente um psicoterapeuta ou psquiatra poderá te orientar para o tratamento de forma eficaz. O tratamento, normalmente, consiste entre conciliar a psicoterapia com a medicação.

Saiba tudo sobre transtorno bipolar com a terapeuta do FalaFreud Dayane Fagundes.

Fonte: https://www.talkspace.com/blog/2017/06/know-kind-bipolar/

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O que é Transtorno Bipolar e quais os sintomas?

Será que sou bipolar? É possível conviver com esse transtorno? Confira o artigo a seguir para entender mais sobre esse distúrbio que afeta pessoas no mundo todo.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Transtorno Bipolar é um distúrbio mental que afeta 30 milhões de pessoas no mundo inteiro e faz com que as pessoas sofram alterações de humor constantes.

Porém, o termo “bipolar” se popularizou e muitas vezes é utilizado de forma errada, uma vez que nem toda variação de humor é bipolaridade. Sendo assim, para evitar que isso ocorra, primeiro é preciso entender o que significa ser bipolar.

O que é Transtorno Bipolar?

Como o nome já diz, “bipolar” vem de”bi” porque são dois estágios e “polar”, porque vai de um polo a outro, isto é, duas extremidades. Portanto, existe a extremidade da mania e a extremidade da depressão. Portanto, essas são as famosas oscilações de humor que uma pessoa bipolar enfrenta.

Assim, agora que entendemos o que é o Transtorno Bipolar, precisamos saber mais sobre essas variações de humor. Entenda as diferenças entre a fase da mania e a fase da depressão e as suas consequências.

Fase da mania

Na fase maníaca, a pessoa fica extremamente eufórica, autoconfiante, impulsiva e/ou irritada e sem um motivo aparente. Esse período de humor pode durar dias, semanas ou até meses.

Dessa forma, o estágio eufórico é caracterizado por um entusiasmo exacerbado, no qual a pessoa fala muito, procura muitas atividades para fazer, tem muitos pensamentos, mas pouco foco.

Consequências dessa fase:
  • Insônia
  • Gastos compulsivos de dinheiro
  • Atitudes impulsivas
  • Entre outras
Fase da depressão

Entretanto, diferente do estágio maníaco, na fase depressiva, a pessoa que sofre do transtorno bipolar fica com uma tristeza profunda e sem esperança para o futuro.

Consequências dessa fase
  • Afastamento dos amigos e familiares
  • Apatia e desinteresse por atividades que antes traziam prazer
  • Problemas na memória
  • Entre outras
Nem todo mundo tem Transtorno Bipolar

Portanto, para concluir, é importante lembrar que nem toda variação de humor significa que o indivíduo é bipolar. Existem vários fatores que devem ser analisados antes de se fechar o diagnóstico de bipolaridade. Portanto, o diagnóstico deve ser feito apenas por um profissional da área.

O tratamento é feito através da combinação entre medicamentos e a terapia. Sendo assim, a terapia tem a importante função de ajudar essas pessoas a organizarem seus pensamentos e sentimentos e entenderem o que se passa com elas durante essas oscilações de humor.

Confira o vídeo da terapeuta do FalaFreud, Dayane Fagundes, sobre Bipolaridade:

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