Dependência das redes sociais e impacto na autoestima

Vivian Di Croce, psicóloga do FalaFreud, disserta sobre a influência das redes sociais na autoconfiança das pessoas.


As redes sociais vêm tomando cada vez mais importância no cotidiano das pessoas. O tempo médio gasto diariamente no acompanhamento das redes sociais tem crescido a cada ano, chegando até a 3 horas diárias de uso, além do fato de cada vez mais pessoas estarem aderindo às redes sociais diariamente. 

Muitas são as explicações para esse aumento de interesse pelo conteúdo digital, e não cabe aqui a falar de todas elas. Mas venho falar sobre como a exposição às redes sociais pode causar impacto negativo na vida de uma pessoa.

Vou partir da vertente em que a pessoa passa a se expor em uma rede social, criando uma conta, escolhendo amigos que ela aprecia e selecionando boas fotos para serem curtidas.

Esses fatos apontam para uma necessidade de aprovação que esta pessoa está buscando. Vivemos em uma sociedade que precisa da validação alheia para se reafirmar, e é muito fácil e rápido ter esta necessidade atendida nas redes sociais. Porém, isso também pode estar mascarando um problema emocional apresentado pelo indivíduo. 

Tantos amigos e curtidas nas redes sociais podem disfarçar problemas sérios. A imagem que é vendida pela maioria das pessoas que se expõe nas redes sociais é de uma vida bela e sem problemas, e ver isto pode causar grandes desilusões em pessoas com sentimento de inferioridade. 

Tantos amigos virtuais podem mascarar a solidão vivenciada na vida offline em muitos casos. E como lidar com um problema real se a maioria dos amigos se encontra no mundo virtual? Encarar o fato de que não há ninguém por perto pode ser desesperador para pessoas que se apoiam na aceitação virtual. E neste momento, a psicoterapia é o melhor caminho para que o indivíduo encontre nele a autoconfiança que buscou por tanto tempo na aceitação do outro.

Esta semana dois fatos ocorridos exemplificam bem o que estou falando. A novela “A Dona Do Pedaço”, da Rede Globo, também está ilustrando a vida das digitais influencers através da personagem Vivi Guedes, vivida por Paola Oliveira. A personagem é abandonada no altar e humilhada publicamente pelo noivo que expõe sua traição em pleno casamento como forma de se vingar e acabar com a carreira que ela aprecia tanto. A dramaturgia no caso demonstra como a imagem virtual impacta na vida pessoal dos indivíduos.

Agora falando da vida real, vivenciamos esta semana a triste notícia sobre o suicídio da influenciadora digital Alinne Araújo. Alinne, que sofria de depressão, era digital influencer com uma legião de seguidores, e passou recentemente por uma rejeição de seu noivo nas vésperas do casamento e não soube trabalhar sua dor. Na procura por mostrar-se forte, até encenou o próprio casamento consigo mesma, talvez na tentativa de se convencer que estava se casando com sua melhor companhia, ou seja, consigo mesma, o que é uma grande verdade. Porém, a exposição pública desse ato foi má interpretada e viralizada pelos usuários. Em vez de encontrar o apoio que buscava na rede social, Alinne recebeu duras críticas, como se estivesse se aproveitando da situação para chamar atenção para si mesma e conseguir mais seguidores. Isso de fato ocorre em alguns casos na mídia, mas não foi o caso: desta vez a dor da rejeição que Alinne enfrentou no relacionamento afetivo foi intensificada pela rejeição de muitas pessoas no mundo virtual.

Ela sofria de depressão e deu sinais de alerta e pedido de ajuda, subliminares ou não, em suas postagens nas redes sociais para enfrentar a dor que estava vivendo. Lamentavelmente, Alinne foi buscar ajuda no lugar errado. Muitas vezes fazemos o mesmo, buscando aceitação de quem não precisamos e sofremos por não encontrá-la em nós mesmos. Poucos abandonos são tão letais como deixar de amar a si mesmo. Para contornar isso, a psicoterapia pode ajudar e bastante. Procure um psicólogo e invista na melhor companhia que você pode ter, VOCÊ MESMO.

Não dê ao outro o poder sobre sua felicidade. Quando paramos de viver a vida para agradar os outros e passamos a vivê-la para agradar nós mesmos, ela pode se tornar deliciosa. O autoconhecimento é ferramenta fundamental neste processo, e não há ninguém melhor do que um psicólogo para lhe ajudar neste caminho. Ele irá lhe ouvir sem julgamento e servirá de espelho para lhe mostrar o que sozinho você não consegue enxergar. 

Minhas dicas para elevar sua autoestima:

  • Observe os seus pensamentos, elimine seus julgamentos e substitua a inferioridade por pensamentos positivos sobre você.
  • Aprenda com sua experiência, em vez de usá-la para se autocriticar. Pense: – Como posso melhorar?
  • Trate-se com amor e carinho e não seja exigente demais consigo mesmo.
  • Busque identificar suas qualidades e potenciais.
  • Ouça a voz do seu coração. Ninguém melhor que você para saber o que lhe faz feliz.
  • Acredite: você merece ser amado. E é especial e único pelo simples fato de existir.
  • Faça todo dia algo que lhe deixe feliz. Pode ser coisas simples como dançar, ler, descansar, ouvir música, caminhar ou conversar com sua psicóloga.
Psicóloga Vivian Di Croce

Vivian Di Croce

Vivian Di Croce é psicóloga do FalaFreud, com 13 anos de experiência na área de psicoterapia. Sua abordagem é a teoria cognitivo-comportamental (TCC) e programação neurolinguística. Vivian atende públicos de todas as idades, com experiência com ansiedade, relacionamento afetivo, baixa autoestima, insegurança, frustração, medos, culpa, autocrítica, desmotivação, orientação vocacional, autoconhecimento, timidez, emagrecimento, trabalho focado na melhora do cliente, alívio rápido dos sintomas e na resolução definitiva dos conflitos. Trabalha como psicóloga clínica com atendimentos sendo: particular, online, rede municipal de saúde e clínica de reabilitação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui